Manoel Novello

“Olhando de longe”

Gaby Indio da Costa Arte Contemporânea

01/06 – 10/07/2026


Olhando de longe

Manoel Novello

Por que gostamos tanto de apreciar uma cidade de um lugar mais alto, como em um mirante?

Toda cidade possui, entre os lugares que valem a visita, pontos de observação privilegiados.

Aqui no Rio de Janeiro, há exemplos já incorporados ao imaginário da cidade: Corcovado, Pão de Açúcar, Vista Chinesa, Pedra Bonita, entre tantos outros. Pela frequência com que são vistos, muitas vezes passam despercebidos.

Ao alcançar esses lugares, a cidade parece se reorganizar diante dos olhos. Do alto, ela se revela mais bela, mais harmônica, quase silenciosa. Surge então uma sensação discreta de perfeição, como se, por um instante, a vida urbana pudesse existir em absoluto equilíbrio.

Essa experiência se repete em diferentes cidades do mundo.

Em Viena, a antiga roda-gigante, com suas cabines de madeira, oferece uma visão suspensa da cidade. Em Madri, o mirante do Palácio de Cibeles revela o desenho diagonal das avenidas, como um traço geométrico cuidadosamente pensado.

Em Nova York, os rooftops se transformaram em atrações próprias. O skyline, visto do alto, muda conforme o ângulo.

Lisboa talvez seja uma das cidades que melhor traduzem essa relação entre paisagem e contemplação. Seus miradouros, espalhados pelas colinas, aproximam o observador da cidade. No Miradouro da Graça, por exemplo, o Tejo parece emoldurar as construções.

Há também visões em movimento: a vista da janela de um avião se aproximando de São Paulo, quando as torres residenciais surgem “depois” do Ibirapuera.

A paz proporcionada por essas imagens, porém, não corresponde inteiramente à realidade urbana. As cidades são feitas também de velocidade, excesso, conflitos e imperfeições, mas, à distância, os ruídos diminuem. O olhar seleciona o essencial e transforma o caos em composição.

Talvez seja justamente isso que buscamos quando observamos uma cidade do alto: uma sensação de ordem, calma e permanência. Uma espécie de utopia silenciosa.

Esse conjunto de trabalhos expostos na galeria pretende resgatar, dentro de uma linguagem e vocabulário geométrico, a sensação de perfeição, calma e segurança.

Manoel Novello